TRANCEFORMATION – um pouco da Rê de verdade

Prólogo
Em 2000 fui à minha primeira rave. De salto, como qualquer amadora – sempre conto isso porque hoje dou risada. Gostei, coisa e tal, nada muito sério, só um primeiro contato. O tempo passou, entrou namoro, saiu namoro, entrou outro namoro, saiu outro namoro e nada da Rê ir em raves, acho que foram só duas no ano 2001 inteiro. Até que chegou abril de 2002. Até junho, foram 4. A partir de agosto, só falhei um dos finais de semana, de resto, todos, todos, todos foram em raves, sempre com uma companhia inseparável, amigo velho de guerra, quase um irmão.

Quem não curte música eletrônica provavelmente dirá que esse bate-estaca é enlouquecedor, que não há nada de música nisso. Pois eu só lhes dou um motivo para a minha devoção ao trance: são 130bpm’s (batidas por minuto), um pouco mais acelerado que o coração humano. Nas pistas das raves, o som se encontra em tal volume que é inevitável que seu coração se encaixe na batida. Por isso uma pista de trance pulsa, literalmente. Nós chamamos isso de vibe.

Para quem conhece pouco sobre o assunto, as raves costumam ser em sítios, fazendas, casas de festas, enfim, lugares cheios de natureza. Esse ambiente é muito propício para quem gosta de encantar alma, como eu costumo dizer. A natureza e o espaço são essenciais para quem curte o trance.

Auto-análise
Mergulhada num mundo de alucinações, minha cabeça mudou para caralho, me integrei e me entreguei àquela cultura. Eu me acostumei a ver o céu a noite toda, a ter espaço para dançar e respirar, a não me preocupar com o que as pessoas vão pensar, a sentir a vibe de uma pista de dança de verdade. Já estou começando a entrar na freqüência 13/20 – depois explico o que é – e não tenho do que reclamar. Eu me sinto bem, obrigada.

A derrota
Que a gente não faz pelos amigos… Ontem vira meu amigo parceiraço de raves e me faz uma proposta que considerei estúpida: vamos para a Nuth? Para quem não é do Rio, estou falando da boate da moda para a elite. Os motivos eram dele, eu sou só amiga de todas as horas, não ia deixar o cara na pista. Sendo bem prática: puta que pariu, que meeeeerda! Sabe aquela parada de festa estranha com gente esquisita? Pois é. Gente bonita aos montes; mas alegria, sorriso sincero e vibe não é para essa gente. Palhaçada para entrar, mal dava para se mexer, pista insuportavelmente cheia (se você derrubasse alguma coisa não daria para pegar, juro), tudo caríssimo. Esse tipo de coisa nunca me irritou tanto quanto ontem. Este é o reflexo da minha tranceformation. E querem saber? Falem o que quiserem de mim, de raves, de música eletrônica e desses zumbis que nunca dormem, eles(nós) são mais felizes que os que se atrevem a criticá-los.

P.L.U.R. (Peace, Love, Union & Respect)

Sobre

Eu sou uma ideia abstrata de mim mesma, vivendo para o meu trabalho e insistindo em acreditar que algum dia eu vou conseguir escrever o tanto que penso.

Vai que você curte

Leia o post anterior:
Pseudo-direito

É com uma puta tristeza que escrevo este post. Não, este blog não acabou, é outra parada. Há quase um...

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