Roupas, comportamentos e ideologias

É engraçado voltar a Teresópolis depois de tantos anos (eu tinha 15 quando saí daqui). Nas poucas vezes que estive aqui nestes anos, sempre reparei numa coisa: aqui todo mundo me olha quando ando na rua. Andei cismada com isso, afinal todas as vezes eu estava vestida e juro que não tenho cabelo cor-de-rosa ou pele verde; até o dia em que me disseram que não tenho cara de mulher dessa cidade. Foi aí que comecei a notar uma coisa bem divertida, que eu já achava quando morava aqui: o que é ter cara de ser de Teresópolis. Tomara que os que são da terrinha me perdoem, já que o que escrevo é puro senso de realidade.

Aqui as pessoas são muito simples, funciona assim: algumas mocinhas e mocinhos que representam a nata da sociedade andam na moda – claro que respeitando a defasagem de quase um ano em relação ao Rio de Janeiro – e fabricam o que é ser cool em Terê. Fora este grupo, restam dois: os que querem ser cool como os do primeiro grupo e se vestem como tal e o bando dos excluídos, aqueles seres que não acham que valha a pena se encaixar em um rótulo tão patético e justamente entre eles é que se encontra a mais estranha mistura. Reúnem-se à margem os que gostam de rock, os que odeiam salto alto e maquiagem, os que se drogam em tempo integral, os que querem sair desta cidade a todo preço, as vagabundas e interesseiras em geral e os meus queridos e amados nerds, os caras que sabem o que é Pepa Filmes, quem é Crowley, o nome verdadeiro de Darth Vader e a utilidade da centralização das lentes de um par de óculos.

Assim se resume o novo ninho em que me escondo e para quem achou a minha teoria muito adolescente, saiba que nesta terra listei todos os tipos de pessoas que possuem até 23 anos, porque depois disso, ou você sai daqui para ser algo mais ou fica aqui para ser coisa nenhuma. Dá a impressão de que é uma cidade onde ninguém tem ideologia e que ficar aqui te torna parte desta massa disforme e desarranjada.

E apesar de todo este resumo simplista, que me faz achar este recanto muito pouco, eu gosto daqui. Gosto de abrir minha janela e não escutar o funk do meu vizinho, gosto de catar no meu pomar morangos, abacates, tangerinas, maracujás etc, adoro não ter medo de andar de ônibus e até tenho uma turma de amigos espetaculares e que amo quase com devoção, composta por roqueiros, nerds e até os que perdem seu tempo se preocupando em estar de acordo com as regras da moda e do comportamento desta cidade…

Sobre

Eu sou uma ideia abstrata de mim mesma, vivendo para o meu trabalho e insistindo em acreditar que algum dia eu vou conseguir escrever o tanto que penso.

Vai que você curte