Meu único dia dos namorados

É claro que não tive só um dia dos namorados na vida, claaaaaro, estou viva há 21 anos e em todos estes houveram 12 de junho. Mas presente eu só ganhei uma vez, faz muito tempo. E como o dia dos namorados está aí, já olhando pra gente, eu resolvi contar como foi. É uma das minhas coisas bonitas para contar. Foi no meu último ano de colégio, lá na minha cidadezinha pequenina onde todo mundo se conhece e todo mundo se mete na vida de todo mundo.

Devia ser março quando eu estava no mesmo barzinho de todo fim de semana (o único da cidade, na esquina da minha casa, o Delilo’s) e vi um povo apresentar uma pequena esquete. Me encantei e vi uma menina da minha sala entre eles. Não deu outra: assim que acabou a esquete fui lá conhecer todo mundo. Entre esse povo eu conheci uma pessoa maravilhosa, um moço que nasceu no mesmo dia que eu, um moço com quem me pareço muito e nem um pouco ao mesmo tempo. Ele é uma dessas muitas pessoas que a vida me dá para eu poder dizer que tenho amigos sensacionais; se bem que naquela época era mais que um amigo, eu diria que éramos um caso do acaso bem marcado em cartas de tarô, apesar disso soar muito cafona.

Pois então, assim estávamos quando chegou 12 de junho e minha fiel companheira de night me deixou na pista. Eu já estava de pijama quando tocou meu telefone.

– Alô.
– Alô. Pa, O que é que você está fazendo em casa?
– Como assim? To indo dormir, já estou de pijama.
– Tá legal, voc? tem 5 minutos para estar pronta, eu to saindo do Delilo’s pra te pegar.
– Quê?
– Se arruma. To indo.

… Eu ainda de pijama (tá pensando o quê? eu precisava pensar em que roupa vestir!) e ele bate a porta. Abri de pijama mesmo.

– Entra, você vai ter que esperar, já volto.

Eu já ia saindo quando…

– Pa!
– Quê?
– Feliz Dia dos Namorados!

E me estendeu um sonho de valsa. Pulei no pescoço dele, com a cara mais idiota do mundo, nos abraçamos apertado e nos beijamos de leve. Pelo que me lembro, foram uns segundos de eternidade sublime compactados numa dose cavalar de brilho nos olhos e carinho.

Ah, qual é, quem foi que disse que é preciso ganhar um colar de pérolas ou um anel de brilhantes? Um sonho de valsa já tem todo aquele sabor de amor, mesmo quando se está de pijama e pantufas, na cozinha de casa, olhando para um moço que nem seu namorado é. Até hoje aquele papel de bombom está guardado, colado na minha agenda de 1999 com mais um monte de coisas bonitas para contar…

Sobre

Eu sou uma ideia abstrata de mim mesma, vivendo para o meu trabalho e insistindo em acreditar que algum dia eu vou conseguir escrever o tanto que penso.

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