A Ilha

Passei os últimos 20 dias fora e neste período meu hábito de leitura foi bom companheiro. Parte do que li não cabe aqui, por conta de uma especificidade que vai me exigir muitas explicações básicas que não tenho paciência para redigir e/ou pelo teor absurdo do escrito. Entretanto há ao menos uma leitura que se salva, A Ilha, do jornalista Fernando Morais.

Trata-se de um doce retrato superficial e apaixonado da Cuba escrito em 1976, sob a rígida cortina da ditadura militar. O exemplar em minhas mãos pertence à 30ª edição, de 2001, com direito a prefácio novo, apêndices que não compunham as edições anteriores e contracapa por Antonio Callado e Gabriel García Márquez.

Aos capitalistas selvagens de plantão eu sugiro que engavetem temporariamente seus preconceitos; aos esquerdistas decepcionados com o PT eu diria para não se empolgarem com visão tão superficial do socialismo; e a ambos os grupos, bem como a qualquer outro que que disponha seu tempo lendo o que eu escrevo, recomendo que leiam. Leiam e entreguem-se, mesmo que só um pouquinho, a devaneios posteriores, embora estes provavelmente os levem a conclusões óbvias: seria perfeito se tivesse dado certo. Sempre existe um se, neste caso um que vai contra as mais simples normas da diplomacia e perfeitamente de acordo com a atual visão do governo americano. Mas meu propósito hoje não é criticar americanos, apesar de este o meu esporte favorito.

Para encerrar minhas recomendações, conto: se o tom que permeia o livro é superficial e jornalístico em excesso – passando longe da imparcialidade, mas ainda jornalístico -, os apêndices compensam. Carregam uma defesa da Revolução Cubana e dos comportamentos políticos impressonante e uma paixão por suas ideologas que é, no mínimo, admirável (para não se dizer invejável).

P.S.: cheguei hoje e conectei para baixar e-mails e postar. As visitas aos blogs amigos ficam para outro dia, me perdoem.

Sobre

Eu sou uma ideia abstrata de mim mesma, vivendo para o meu trabalho e insistindo em acreditar que algum dia eu vou conseguir escrever o tanto que penso.

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