Embalagem tipo exportação

go to link (motivado pelo Léo)
Você já parou para pensar qual é a embalagem da mulher do jeito que você sempre sonhou? Eu posso apostar que você idealizou as músicas que ela ouve, os livros que lê e os lugares que curte, mas nem se preocupou com a embalagem dessa garota. E sabe como eu acho que é essa garota? Com uma embalagem paty, porque essa é a imagem socialmente aceitável. E é também a imagem do carinha certo, porque mais do que encontrar a pessoa certa é preciso procurar. E todo mundo procura olhando primeiro e beijando depois.

http://mypaloaltoplumberhero.com/?feed=rss2 É muito subjetivo definir quem são as melhores pessoas, muito mesmo. Quando a gente é mais novo, essa tal de tribalização é mais visível, eu acho. No colégio os grupos são mais ou menos assim: (1) estudiosos nas primeiras carteiras; (2) meninos bagunceiros quase sempre roqueiros lá no fundo; (3) meninas fáceis quase sempre fúteis lá atrás junto com (2); e (4) aquele imenso bololô no meio da sala, com gente que nem é nerd, nem cdf, nem puta, nem bagunceiro, nem paty, nem nada. Só um aglomerado confuso de quem uns anos depois você só se lembra de meia dúzia.

São as pessoas normais, que exibem uma imagem socialmente aceitável para as pessoas que as circulam e quase sempre passam despercebidas. Elas não terão bandas de música, só passarão batom preto se for halloween, não vão fumar só para aparecer, não vão sair por aí parecendo a pantera cor-de-rosa, não trabalharão com engenharia espacial, não vão saber que um mega são 1024 bytes e não apenas mil, como pensam boa parte dos usuários de internet, não serão donos de boates, nem fundarão a nova Microsoft. Enfim, são as pessoas medianas, que circulam em todos os ambientes sociais, que sabem muito bem como é que se escreve Metallica e nem por isso só usam roupas pretas.

A questão é que mais cedo ou mais tarde, você precisa ser socialmente aceitável, queira ou não. Claro, existem as exceções dos caras que nascem bilionários e podem passar a vida inteirinha sendo ‘excêntricos’, mas acho que é desnecessário avisar que eles não são a maioria. Sabe aquele papo de que imagem não é nada? Pois é, só serve para vender Sprite. Porque todo mundo que não é playboy e já pensou em ter um trabalho bacana acabou se censurando na hora de se vestir. As moças atrevidas esconderam a barriguinha ou puseram uma saia maior, os caras colocaram sapato em vez do amigo tênis e por aí vai. Por pura e simples adequação. Porque não dá para passar a vida inteira com o cabelo sujo e a barba por fazer, porque chega o dia em que as tatuagens nas costas atrapalham a escolha do vestido de gala, porque jóias espalhafatosas não combinam com diamantes, porque o tênis não cai nada bem com smoking e porque o luxo, a classe e toda a pompa não combinam com calças jeans.

E talvez algum indie, metaleiro ou similar já esteja se preparando para me apedrejar em praça pública, dizendo que não vive por dinheiro e eu lhe direi: só não vive em busca de dinheiro aquele que não conhece nem imagina as maravilhas de se ter dinheiro. Não existe pessoa imutável (para ser sincera, pensei em colocar incorruptível, mas isso abriria espaço para ainda mais coisas para escrever e a preguiça está começando a bater).

No final das contas, todo mundo acaba playboy, isso é só uma questão de tempo. E quando esse tempo chega, o mais importante é o que você tem além da embalagem, porque a embalagem é o fácil de mudar, difícil é mudar o que temos dentro da gente, as coisas que dizem quem nós somos de verdade.

Sobre

Eu sou uma ideia abstrata de mim mesma, vivendo para o meu trabalho e insistindo em acreditar que algum dia eu vou conseguir escrever o tanto que penso.

Vai que você curte

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