Populismo, a cara do Brasil

É impressionante como o brasileiro é um povo desatento por natureza. Não sei se sou uma neurótica por política com muitas teorias conspiratórias ou o resto do povo é que não tem o hábito de prestar atenção no que acontece à sua volta. Porque 2006 está aí, é ano de eleição, ano em que todo mundo vai pras ruas, deputados, governadores, presidente da república… Há duas semanas, em entrevista a IstoÉ José Dirceu declarou – num tom que mais parecia uma forma de se explicar do que de responder, como se houvesse o que justificar – que de forma alguma o PT está agindo visando as eleições do ano que vem, até porque no momento o PT tem força para se reeleger e até aumentar sua base aliada.

Nada contra, mas o curioso é que logo depois disso, quando César Maia começa a dar as caras na televisão como quem se apresenta para possível candidatura, rola uma tapetada muito peculiar: intervenção no caos da saúde pública do Rio de Janeiro, fora acusação do Ministério Público Federal sobre umas verbas mal explicadas da época do Brizola prefeito. Curioso mesmo, porque os seis hospitais sob intervenção não passam de antigos hospitais federais que haviam sido municipalizados simplesmente porque o Estado não tinha mais condição de pagar a conta. Espremeu a verba e repassou para a Prefeitura do Rio de Janeiro. Agora dá tom de altruísmo a sua mais legítima obrigação: fazer estes hospitais funcionarem. E sobre a gestão Brizola, o caso estava empoeirado de tanto tempo que estava engavetado por falta de provas. Ora, mas para fazer estardalhaço não é preciso provas, as suspetas bastam. E assim a mídia se presta a um papel pouco louvável e até bem vergonhoso.

Agora o governo federal pede indulto em prol da vida do brasileiro traficante condenado à morte na Indonésia e faz disso uma bandeira dos direitos humanos, como se um criminoso tivesse o direito de ser julgado por seu país de origem e não pelo lugar onde cometeu o crime. Complexo, discutível, coisa que não é o meu propósito neste post.

E para acabar de pintar o cenário razoavelmente óbvio, o Governo está se calando sobre as verbas absurdas que o Congresso tem aprovado, dando corda para os deputados se enforcarem e no final das contas os petistas ainda vão conseguir declarar ‘olha só, se tivessem eleito o PT para a mesa da Câmara não tinha dado essa merda toda, viu, viu, viu?’ E aí, meus caros, a reeleição vai ser mais fácil que tirar doce de criança. Querem apostar?

Sobre

Eu sou uma ideia abstrata de mim mesma, vivendo para o meu trabalho e insistindo em acreditar que algum dia eu vou conseguir escrever o tanto que penso.

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Ora, mas o que é isso?

Vejam só, esse mundo está perdido, mesmo. Como vamos ter esperança num mundo onde até o Big Brother Brasil engana...

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