Lomyne's in tha house

Já não sou mais tão jovem para ter tantas certezas.

Cassandra

Caiu no meu colo, vindo das mãos de uma amiga papa-letras como eu, um livro sobre Cassandra, de onde tirei a citação do post anterior. Um romance psicológico de lamber os beiços (quer ver qual livro? olha aqui). Cassandra, filha do Rei Príamo, profetisa troiana condenada por Apolo a fazer previsões que, embora verdadeiras, ninguém acreditaria. A única pessoa a dizer que Tróia perderia a guerra.

Para mim foi um presente, diante do livro tomei umas boas lições sobre mim mesma – sim, porque em matéria de Paloma Assef eu nunca entendo porra nenhuma. Cassandra diz, entre muitos fatos sobre a guerra de Tróia, que não entende como muitas vezes a olham como sacerdotisa igual às outras, sem nada que a diferenciasse. Depois de pensar muito nisso, ela se dá conta de que aos olhos alheios não é muito diferente mesmo, que não se distingue como sempre pensou que fazia.

Eis que, apenas como exercício, parei para reavaliar minhas reclamações da vida, das pessoas que me cercam. E não sei o quanto gostei de ser Cassandra. Apenas por hoje, apenas por alguns instantes, sabe lá deus até que profundidade. Sim, eu estou desperta, eu sou diferente, eu sei das coisas, eu estudei, aprendi, nunca fui vítima das ditaduras midiáticas e principalmente da ditadura social. Mas isso é o que eu sei sobre mim. Olhos alheios percebem uma embalagem adequada à essa ditadura, embora contornada por trejeitos que não lhe são coerentes. Mas o rosto, as roupas, os sapatos, o mundo em que vivo me diz aos berros: não seja tola em se achar diferente, não seja cruel em se achar melhor, você como qualquer outro, não passa de uma pessoa em busca de si mesma e – se possível – de um igual. Somos todos assim.


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