Lomyne's in tha house

Já não sou mais tão jovem para ter tantas certezas.

Novas miopias sobre assuntos para lá de velhos

Quanto tempo, hein? Daqui um mês completa cinco anos que tenho blog. E nesse tempo todo as drogas foram assunto freqüente. No primeiro ano, principalmente, cansei de falar sobre elas. Sempre tratei como algo que faz parte da rotina – da estrutura da sociedade e suas necessidades de entorpecentes – e não como uma pauta digna de discussão. Acho que nunca teorizei a fundo sobre a legalização, deve ser porque acho que discutir isso não nos leva a lugar algum. Mas eis que estou apresentando o assunto, colocando em pauta.

A causa desta abertura de discussão está no Roda Viva de 26 de fevereiro. No centro, Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, abrindo um extenso leque de questões, muitas delas clichês sobre o estado que o coitado cuida. E o meandro foi a idéia dele de legalização da maconha, não como projeto definido, mas como objeto de discussão que deve começar ouvindo especialistas.

E na vazante da infomaré, o primeiro que vi dar trela ao assunto foi o Cesar Maia, que chama seu newsletter de ‘ex-blog’. Haverão outros em poucos dias, talvez já hajam e eu não tenha visto, mas o destaque fica mesmo para as opiniões do maluco de jaqueta e suas prioridades bizarras. Trata-se de pura economia, administração, logística e legislação. Pérolas como partir da premissa que agricultores vão plantar maconha em vez de arroz, feijão e milho porque a maconha vai ser mais lucrativa, logo teremos escassez de alimentos. Também é importante definir quem vai controlar a qualidade da erva para que não sejam adicionados produtos químicos e preparar os médicos para lidar com as situações relacionadas. Bingo!

Parece-me que ele precisa aprender como se monta um planejamento de comunicação dos mais básicos. É assim: primeiro a gente define a necessidade de um projeto, depois definimos quais os objetivos (de marketing e de comunicação) e só então nos dedicamos à mecânica da coisa. E Cesar Maia está preocupado em como vai funcionar depois da legalização – a mecânica – antes de discutir o que a legalização consegue – os objetivos – e se é mesmo necessário legalizar. Fora a pergunta mais importante dentre todas: quais as conseqüências sociais da legalização?

O que veio escrito naquele newsletter/blog é pura miopia política, costurado com panelaço só para ver o circo pegar fogo. O mínimo de raciocínio lógico já basta para saltar aos olhos as inconseqüências ali escritas. No final das contas, as pedras cantadas pelo prefeito do Rio parecem mais as preocupações do dono do negócio do que de um governante. Se bem que o Cesar Maia é muito mais administrador do tráfico do que de uma cidade…


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