A obrigatoriedade do discurso

Participo de um grupo de discussão que, como tantos outros, teve seu objetivo deturpado ao longo do processo. O que originalmente deveria ser um local de discussão e iniciativas do Terceiro Setor tornou-se um ambiente de disseminação de discursos de esquerda, notícias anti-imperialistas e ufanismos em geral. Em tempo: organizações do terceiro setor são aquelas que realizam serviços em prol da coletividade (o que é papel do governo, primeiro setor) com financiamento de instituições particulares (empresas, segundo setor). E creio eu que justamente por serem organizações não governamentais sem fins lucrativos que tentam suprir as necessidades que o governo deixa em aberto, é que as pessoas destas organizações se sentem com visão privilegiada, como se fossem os únicos a saberem da verdade, a terem percepção e sensibilidade. E o que vejo no grupo é que boa parte dos membros se sentem arautos de verdades supremas.

Alguém já disse que a democracia nada mais é do que a ditadura da maioria e a cada dia que passa vejo ainda mais verdade nessa frase. Não questiono os motivos das pessoas em escreverem aquilo em que acreditam, só fico suspresa como criticam os veículos de comunicação por informarem sua opinião como verdade absoluta, exatamente como as pessoas do grupo de discussão fazem. Eu honestamente não consigo entender como não reconhecem em si mesmos os defeitos que apontam nos outros.

Então me atrevo a dizer a eles que estão sendo tendenciosos, que isso é tão errado quanto a capa da Veja desta semana ou o Jornal Nacional. E o que acontece? Simplesmente metade do que eu disse é ignorada e a outra metade mal interpretada. Tenho a impressão de que é bem possível que se eu escrever algo com o mesmo tom daquele e-mail vou ser banida da lista, acusada de comportamento anti-ético. Simplesmente porque minhas idéias não são óbvias como a maioria da lista, simplesmente porque não sou igual ao discurso dominante. Então me segregam – exatamente como acusam a sociedade de fazer com as idéias deles, eles fazem com as minhas. E nem percebem.

Porque cargas d’água as pessoas não sabem ser prudentes nem ponderadas? É tudo a ferro e fogo? Ai, como isso me cansa… Odeio extremistas!

Sobre

Eu sou uma ideia abstrata de mim mesma, vivendo para o meu trabalho e insistindo em acreditar que algum dia eu vou conseguir escrever o tanto que penso.

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