A arte de não-ler

source link É engraçado circular em ambientes intelectualizados. Os grupos reúnem de papa-letras desde a tenra idade a gente que mal e mal sabe usar crase. Eu não vou entrar nos méritos de quem sabe ou não sabe escrever, embora tenha aprendido há muito tempo que quem não lê não sabe escrever. Discutir isso demora. Voltando aos intelectuais: vamos e venhamos, ninguém precisa ler todos os clássicos. É óbvio que se tornaram clássicos porque uma extensa maioria os considera bons, mas ninguém precisa lê-los. Simplesmente porque ler precisa ser um prazer, não é um conceito nada complexo.

buy provigil cheap online Por exemplo: não leio Guimarães Rosa, considero Machado de Assis um chato e larguei A Odisséia antes da página 20. Mas amei cada palavrinha de Crime e Castigo e ainda tenho um tremendo carinho por Allan Poe. Tenho amigos diante dos quais me sinto uma ignorante, uma delas foi veemente há dois anos atrás ao dizer que não falaria mais comigo enquanto eu não lesse Cem Anos de Solidão. Mas esta amiga não lê Saramago e nem por isso desprezo os conhecimentos dela.

Mas se você sabe do que um livro se trata, nestes círculos intelectuais já é o suficiente. Qual é, admitam, quantas pessoas vocês conhecem que leram O Tempo e o Vento inteiro sem serem obrigados pela escola? Alguém aí leu o Dom Quixote original? E quantos leram de fato Maquiavel? E de todos estes, quantos de fato entenderam?

Hoje em dia, qualquer 15 minutos procurando na internet e mais meia hora lendo é o suficiente para você conhecer um livro. Mas particularmente acho que isso serve é para saber se vale a pena comprar e ler. É por isso que minha seleção de clássicos é absolutamente incomum. Se eu pudesse indicar leituras obrigatórias, além das que mencionei outro dia, eu diria que deve-se ler (os links são de sebos):

Toda Mafalda, Quino
O urgente não deixa tempo para o importante. Eu vivo citando Mafalda. Este livro tá guardado na casa da minha mãe, mas quando eu ainda morava lá o livro ficava embaixo da minha cama. Sei de cor quase todas as tirinhas.

Jogos Pueris, de Ronald de Carvalho
Poesia naquele português em que se estranha pela acentuação, mas é uma delícia! Não, eu não vou explicar quem é Ronald de Carvalho. Não, eu não empresto meu exemplar, ganhei do filho do autor, isso não é negociável.

Vita Brevis, de Jostein Gaarder
Imagine a concubina de Santo Agostinho lavando a roupa suja. Eu posso passar o resto da minha vida citando Vita Brevis. Para as mulheres, é quase uma bíblia, eu gostaria de ter dito pelo menos metade daquelas palavras a algumas pessoas.

A Morte de Ivan Ilich, Tolstói
Morreu um burocrata, um homem comum, sem graça. Mas contar sua história o torna fabuloso. Não tanto pelos fatos coloquiais da história, mas pela maneira como é contada.

O Talentoso Ripley, Patricia Highsmith
Esquece o Matt Damon, o Jude Law e a Cate Blanchett, ignora o filme. Vai ler o livro. E depois vê se pega a série inteira, tem vários e todos muito bons.

Agora chega que eu preciso trabalhar, mas tem bem mais. Outro dia eu continuo a garimpar. É que de bate e pronto, sem olhar minha estante, estes são os top of mind.

Sobre

Eu sou uma ideia abstrata de mim mesma, vivendo para o meu trabalho e insistindo em acreditar que algum dia eu vou conseguir escrever o tanto que penso.

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