Cinema: O Clã

A primeira coisa que você precisa saber sobre esse filme é que ele não é pra gente sensível. Dos mesmos produtores de Relatos Selvagens (sobre o qual um dia eu ainda vou escrever), o filme argentino concorre ao Oscar de melhor filme estrangeiro e estreia no Brasil esta semana.

Não me acuse de spoiler, as informações que seguem saíram da sinopse: O Clã é baseado na história real da família Puccio, uma gangue de sequestradores argentinos do início dos anos 80, uma época de redemocratização por lá como foi por aqui.

A história é contada pelo ponto de vista de um dos filhos, Alejandro, um célebre jogador de rugby. O chefe da gangue/patriarca da família, Arquímedes, é uma figura familiar pra maioria dos brasileiros: se parece com aquele avô/tio avô linha dura, aquele homem a quem não se levanta a voz e com quem nunca é fácil de conversar. Acho que toda família brasileira tem um e acho também que é um resultado bem óbvio de países com ditadura…

Os Puccio são uma família de classe média, cristã, estruturadas, se parece em muito com a tradicional família brasileira (sem ironia no termo). Responsabilidades divididas, orações antes das refeições, louça lavada, pai que ajuda filha no dever de casa e serve boas refeições aos sequestrados enquanto pede fortunas às famílias, para depois executar o refém for no reason.

A produção é bem impiedosa, tenho impressão de que isso é uma característica bem comum nos filmes argentinos: não passa verniz algum nos fatos, nem nos sentimentos. As emoções não são descritas, menos ainda comentadas. A tensão é toda transmitida pelo clima da história e apesar de não se falar em momento algum, dá pra entender muito bem como o protagonista se sente.

O Clã é um filme desconcertante por inúmeras razões e excelente por isso mesmo.

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Post Author: Lomyne

Eu sou uma ideia abstrata de mim mesma, vivendo para o meu trabalho e insistindo em acreditar que algum dia eu vou conseguir escrever o tanto que penso.