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	<title>Arquivos pessoas | Lomyne&#039;s in tha house</title>
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	<description>Já não sou mais tão jovem para ter tantas certezas</description>
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	<title>Arquivos pessoas | Lomyne&#039;s in tha house</title>
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		<title>Coisas que não deviam acontecer</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lomyne]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Apr 2019 11:17:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[ônibus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Outro dia eu resolvi ajudar um cara. O busão quebrou e o que veio pra dar carona não era a mesma linha, um rapaz perdido precisava de ajuda pra reprogramar sua rota. Perguntei onde queria chegar, expliquei como fazer, corrigi as informações erradas que ele tinha, por uns 10 minutos bati papo. Quase chegando no [&#8230;]</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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<p>Outro dia eu resolvi ajudar um cara. O busão quebrou e o que veio pra dar carona não era a mesma linha, um rapaz perdido precisava de ajuda pra reprogramar sua rota. Perguntei onde queria chegar, expliquei como fazer, corrigi as informações erradas que ele tinha, por uns 10 minutos bati papo. </p>



<span id="more-3143"></span>



<p>Quase chegando no meu destino, meio descontextualizado, o rapaz comenta uma pequena notícia de expressão da sua cidade:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Você viu o cara que roubou linguiça lá em Matinhos? Aí pegaram ele, bateram nele, ele disse que roubou porque estava com fome. Teve até celebridade que foi pra lá e aí veio essa gente de humanas e o cara ganhou 30 mil porque roubou linguiça. </p></blockquote>



<p>Eu tinha que descer, não dava tempo de entender a notícia estapafúrdia que ouvi, só senti o ódio me fervendo nessa história que mesmo sem saber de nada eu já emiti juízo de valor:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Com certeza ele não ganhou 30 mil porque roubou linguiça. Ele recebeu 30 mil porque alguém achou que tinha direito de bater e retaliar como quisesse, porque pessoas sem noção pensaram que são polícia, lei, juiz e carrasco. E inclusive violaram a lei. Ninguém tem o direito de bater em ninguém, não importa o motivo. E a propósito, eu sou de humanas. </p></blockquote>



<p>Se ele pode cagar regra, eu posso também. Cheguei em casa quase bufando, chateada com essa história. Fui atrás da verdade, já que papo de busão tem a mesma credibilidade de grupo de WhatsApp: nenhuma.</p>



<p>Acontece que um idoso passando fome roubou pão e linguiça no mercado, foi agredido fisicamente pelos funcionários e mandado embora, segundo as notícias. Nada disso foi reportado à polícia. </p>



<p>Inicialmente, eu achava que o cara tinha recebido indenização pela agressão física, emocional, exposição do vídeo em redes sociais. Não foi o caso. Um vídeo que mostra as condições precárias de vida desse idoso viralizou e MC Mirella fez uma vaquinha de R$ 30 mil para ajudá-lo. Ultrapassou a meta com facilidade e foram R$ 65 mil arrecadados. Não sei se ele já recebeu.</p>



<p>Furto deveria ser punido? Sim. Teve queixa? Não. Agressão física por funcionários da loja deveria ser punida? Sim. Teve queixa? Não. O cara ganhou dinheiro porque roubou? <strong>Não.</strong></p>



<p>Que espécie é essa que faz esse raciocínio estúpido de causa e efeito? Seja qual for, humano não é. </p>



<p>Ajudei alguém que precisava e fui embora me sentindo o mordomo do Tang: <em>ele não merece</em>. Faz parte, né? Eu jamais deixaria de ajudar. Porque percebo que, assim como o idoso, o rapaz no busão precisava de ajuda. Uma pena que ele não percebe. Quem sabe um dia. Quem sabe se ele conhecer a <a href="https://lomyne.com/2019/04/isabel-e-os-papos-de-almoco/">Isabel</a>.</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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		<title>Isabel e os papos de almoço</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lomyne]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Apr 2019 19:30:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[conversa de almoço]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ela vem a cada duas semanas. Por volta das oito e meia, Isabel chega retumbante. Enquanto tomo café ela me conta alguma história, pergunta algumas coisas e eu passo algumas instruções. Isabel é conversadeira, às vezes me interrompe no trabalho, puxando algum assunto que eu respondo monossilábica. Conversamos mesmo no almoço. Falamos de notícias, do [&#8230;]</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ela vem a cada duas semanas. Por volta das oito e meia, Isabel chega retumbante. Enquanto tomo café ela me conta alguma história, pergunta algumas coisas e eu passo algumas instruções. </p>



<span id="more-3145"></span>



<p>Isabel é conversadeira, às vezes me interrompe no trabalho, puxando algum assunto que eu respondo monossilábica. Conversamos mesmo no almoço. Falamos de notícias, do passado e do presente, às vezes do futuro. Quanto mais eu converso com a Isabel, mais incrível eu percebo que ela é.</p>



<p>A Isabel trabalha de diarista com familiares a muitos anos, conhece todo mundo. Um dia ela chegou contando que estava comprando mais uma casa, pro seu filho mais novo. Veio me agradecer porque fui eu que disse a ela que guardasse dinheiro. Dez anos depois, tem a casa dela e deu entrada em uma casa pra cada filho no Minha Casa, Minha Vida. Mora com o marido e alugou a casinha dela, paga as prestações com o rendimento do aluguel.</p>



<p>Desde esse papo da casa, eu passei a prestar mais atenção e quis saber mais da história dela.</p>



<p>Pelo que sei, a Isabel nasceu no interior, no norte do Paraná. Trabalhou na roça, estudou até a quarta série (quinto ano pra essa juventude aí). Não é um começo de vida fácil. Com muito esforço terminou o estudos com supletivo, bem mais velha. Isabel entende o valor da educação, fez todos os filhos concluírem o ensino médio com algum técnico, hoje vive preocupada com os netos.</p>



<p>Outro dia ela me contou orgulhosa da neta que está fazendo 14 anos, está correndo atrás de seu primeiro emprego como menor aprendiz e a menina já andou perguntando por quanto tempo ela precisa guardar R$ 100 por mês até comprar uma casa pra ela. Melhor que muito adulto. </p>



<p>Isabel passou um tempão tentando resolver documentos do trabalho dela na roça, está quase se aposentando, hoje mesmo falamos sobre pagar o carnê do INSS pra se aposentar. Isabel gosta de tudo muito correto e por vezes briga com muita gente por isso, desde a própria família até alguns &#8220;patrões&#8221;. </p>



<p>Ela é como tantos que vem de uma história de vida sofrida, mas tem algo de especial. Isabel adora aprender. Tem dias que isso me dá trabalho, como quando perguntou o que é direita, o que é esquerda e porque os dois são ruim. Foi um longo almoço. </p>



<p>Já se vão alguns anos que converso com ela sempre que posso. Porque Isabel gosta de aprender, Isabel me ensina. A cada conversa, preciso me readequar para escolher como falar, ensinar palavras, explicar como as coisas grandes do país e do mundo afetam a vida dela. Não é um exercício fácil, preciso sair da minha zona de conforto de linguagem, de meio social, de formação educacional. </p>



<p>O mais difícil mesmo é tentar explicar que o mundo não é binário como todo mundo quer fazer crer. Não é tudo preto ou branco, certo ou errado, bom ou ruim. Tem coisas que são boas e tem efeitos colaterais ruins, mesmo parecendo certo, pode dar errado e existe muita coisa cinza por aí. O que eu tento, em cada conversa, é dar subsídios pra Isabel construir suas opiniões. E o que eu vejo, nesses mais de 10 anos, é que ela tem conseguido. Nem sempre ela concorda comigo, mas isso não importa. Importa que são opiniões dela, embasadas, não ideias compradas. </p>



<p>No fundo do meu coração, eu sou de humanas. E tenho um orgulho bobo de achar que Isabel também é de humanas, não precisa de faculdade pra exercitar senso crítico. Isabel é uma pessoa melhor do que muita gente que eu conheço. Provavelmente, muito melhor que eu. </p>



<p>Moral da história: converse com pessoas com perspectivas sociais muito diferentes das suas. Mais ricos, mais pobres, outras cores, outras identidades de gênero. Ouça de verdade. Talvez você os ensine, talvez não. Com certeza, você vai aprender.

</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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		<title>Plano de vida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lomyne]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Apr 2019 18:45:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[diarinho]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[plano de vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Essa semana tive 3 conversas parecidas, com pessoas além dos 30 anos. Tínhamos um plano de vida e ele foi pro espaço ao longo do caminho. Tem gente pra quem o plano desenhado funcionou, mas definitivamente não é a maioria. O plano é meio parecido para todo mundo, quase igual o das plantas que a [&#8230;]</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Essa semana tive 3 conversas parecidas, com pessoas além dos 30 anos. Tínhamos um plano de vida e ele foi pro espaço ao longo do caminho. Tem gente pra quem o plano desenhado funcionou, mas definitivamente não é a maioria.</p>



<span id="more-3133"></span>



<p>O plano é meio parecido para todo mundo, quase igual o das plantas que a gente aprendeu no primário: nasce-cresce-reproduz-morre. Um pouco mais elaborado, um modelinho bem classe média (desculpe, é meu meio social):</p>



<ol class="wp-block-list"><li>Nasce</li><li>Cresce</li><li>Faz uma faculdade</li><li>Conquista um bom emprego ou abre um negócio de sucesso</li><li>Casa e tem filhos</li><li>Segue em linha reta até morrer</li></ol>



<p>Muitos planos que eu conheço foram pro beleléu entre o 3 e o 5. Ao que me parece porque essas metas deveriam ser cumpridas antes dos 30 anos. Essas etapas não funcionaram pra maioria, porque né, isso não era bem um plano, era meique sonho, planejamento é outra coisa. </p>



<p>Tem gente que desistiu da primeira faculdade ou não teve grana pra concluir, foi levando a vida como dava. Tem mais um monte de gente que atrasou no sucesso profissional esperado, não chegamos no modelo yuppie de sucesso. E claro, tem uma quantidade obscena de gente que não achou o grande amor pra construir a família perfeita do comercial de margarina.</p>



<p>Na minha idade meus pais estavam com o plano todo completinho. Alguns percalços financeiros, mas o plano funcionou pra eles. Pra mim a faculdade deu certo, mas a estabilidade financeira e profissional chegou lá pelos 30 mesmo. O casamento só depois. Aliás, já estou no segundo e não tenho filhos. </p>



<h3 class="wp-block-heading"> E agora?</h3>



<p>Pois então. Em essência, os planos da minha geração não fracassaram miseravelmente, só atrasaram. Apesar do atraso do plano, o amadurecimento chega pra todo mundo. E agora acontece que a gente enxerga que isso não era um plano. </p>



<p>Conheço muitos que olham para o mundo e pensam: é melhor não colocar mais um ser humano nissaê, não tá bom não. Conheço outros tantos que depois dos 30 anos decidiram recomeçar a carreira. À exceção dos herdeiros de empresas, não conheço ninguém que acredite na estabilidade do trabalho como acreditavam os mais velhos.</p>



<p>No fim do dia, acho que não queremos mais o plano. E sabe de uma coisa? Tá tudo bem. Somos adultos, as certezas dos nossos pais não nos servem, porque elas não existem mais. </p>



<p>Talvez você precise de um grande plano de vida, talvez não. De toda forma, acho melhor abandonar o plano que não era seu e tomar as suas decisões. A modernidade é liquida demais para sermos tão simplistas como outras gerações foram.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p> A coisa mais adulta que você pode fazer é fracassar naquilo que você acha importante. </p><cite>(A Loja de Unicórnios, Netflix)</cite></blockquote>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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		<title>Ô Abre Alas, o Bolsonaro vai passar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lomyne]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Mar 2019 15:59:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[presidente]]></category>
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		<category><![CDATA[vergonha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em pleno Carnaval, o presidente do Brasil Jair Bolsonaro causou mais uma vez. Poderia estar trabalhando, poderia estar falando o que pensa só para os amigos íntimos, mas como qualquer adolescente bêbado que se preze, estava usando o Twitter sem pensar. A fuzarca foi tamanha que eu estava contando as horas para ver o William [&#8230;]</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em pleno Carnaval, o presidente do Brasil Jair Bolsonaro causou mais uma vez. Poderia estar trabalhando, poderia estar falando o que pensa só para os amigos íntimos, mas como qualquer adolescente bêbado que se preze, estava usando o Twitter sem pensar. A fuzarca foi tamanha que eu estava contando as horas para ver o William Bonner explicar o que aconteceu em rede nacional (confesso que me diverti). </p>


<p><span id="more-3033"></span></p>


<p>Parágrafo de explicação pra você que passou o Carnaval num bunker: Vossa Excelência publicou um vídeo sobre o que &#8220;<em>tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro</em>&#8220;. Eu me recuso a incorporar o tweet, se quiser ver, <a rel="noreferrer noopener" aria-label="clica aqui (abre em uma nova aba)" href="https://twitter.com/jairbolsonaro/status/1103069837876711425" target="_blank">clica aqui</a>. Na manhã seguinte, lá estava ele perguntando no Twitter <a rel="noreferrer noopener" aria-label="O que é golden shower? (abre em uma nova aba)" href="https://twitter.com/jairbolsonaro/status/1103270588850806787" target="_blank">O que é golden shower?</a></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>VOSSA EXCELÊNCIA NÃO SABE PROCURAR NO GOOGLE ANTES DE COLOCAR NO TWITTER!</p></blockquote>



<p>Acho que faz uns 10 anos que qualquer usuário do Twitter sabe que tuitar uma pergunta é correr risco de passar ridículo. Talvez o presidente ache que ele não é &#8220;qualquer um&#8221;. Se for isso, eu não consigo compreender como o nobre senhor não sabe que &#8220;não ser qualquer um&#8221; é muito mais catastrófico.</p>



<p>Ontem meu marido até comentou a noite: mas será que é ele mesmo que posta no Twitter? Não é um funcionário? Meu argumento é que não, porque afinal um funcionário seria alguém que pensaria o que está fazendo. Um funcionário sabe usar o Google, quem sabe até entenda de redes sociais. No mínimo, um funcionário não faria isso por medo de perder o emprego.</p>



<p>Aliás, por falar nisso, uma animação momentânea se espalhou com a possibilidade de impeachment por quebra de decôro. Aham, vamos derrubar um presidente por causa de um tweet. Por favor, não sejam ridículos! Dois meses de governo e já temos uma quantidade gigante de cenas constrangedoras muito mais sérias, essa não será o suficiente. Além do quê, se rola esse impeachment, já reparou no vice? Como isso seria motivo de alegria?</p>



<p>Sabe em quem eu penso? Nas almas infelizes trabalhando com comunicação e jornalismo. Vi pelo menos 3 jornalistas brasileiros que moram fora contando que colegas gringos vieram perguntar &#8220;<em>foi o presidente mesmo? Isso não é fake?</em>&#8221; Imagina que bosta, você tendo que explicar o mau uso da internet do seu presidente. Pensa nos coitados que não votaram nele e tem que explicar essa situação ridícula! Já repercutiu  muito mal na Inglaterra, na Alemanha, em Portugal e na Argentina. Segundo <a href="https://www.poder360.com.br/midia/postagem-de-bolsonaro-no-twitter-gera-mais-de-260-mil-posts-em-sites-no-mundo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="essa notícia (abre em uma nova aba)">essa notícia</a>, foram mais de 260 mil notícias pelo mundo. Pesquisei no Google, recomendo. </p>



<p>Aí corre o pessoal da comunicação social da Presidência da República pra fazer uma nota no mínimo risível:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p> <em>“A respeito de publicação realizada na conta pessoal do Presidente da República, em 5 de março, convém esclarecer que:</em><br><em>– No vídeo, postado pelo Sr Presidente da República em sua conta pessoal de uma rede social, há cenas que escandalizaram, não só o próprio Presidente, bem como grande parte da sociedade.</em><br><em>– É um crime, tipificado na legislação brasileira, que violenta os valores familiares e as tradições culturais do carnaval.</em><br><em>– Não houve intenção de criticar o carnaval de forma genérica, mas sim caracterizar uma distorção clara do espírito momesco, que simboliza a descontração, a ironia, a crítica saudável e a criatividade da nossa maior e mais democrática festa popular.”</em> </p></blockquote>



<p>Sério, galera, vocês que estão trabalhando aí na comunicação da Presidência: vocês dormem à noite? O dinheiro tá compensando a vergonha? Ou vocês não tem vergonha? Vocês teriam coragem de olhar nos olhos dos seus professores de faculdade de comunicação e dizer pra eles &#8220;<em>eu me orgulho do que eu estou fazendo porque estou ajudando a fazer um país melhor</em>&#8220;? Sério, como vocês conseguem?</p>



<p>Na verdade essas perguntas são retóricas. Eu conheço uns torcedores do Bolsonaro. Tenho um grupo de WhatsApp cheio deles (e defender o Bolsonaro nem é a coisa mais escrota que costuma rolar ali, por isso no mudo e eternamente ignorado). Eu poderia conversar com eles para saber o que pensam. Mas sabe, eu não quero. Eu não tenho estômago para descobrir até que ponto vão defendê-lo em nome da moral e dos bons costumes, estes legítimos cidadãos de bem contra a corrupção. E também não sei dizer até que ponto conseguiria ouvi-los civilizadamente antes de começar a jogar na cara as práticas destes mesmos cidadãos de bem.</p>



<p>Este post começou a ser escrito na quinta-feira, dia 7 de março. Antes de eu terminar e publicar, Vossa Excelência já disse que &#8220;democracia e liberdade, só existe quando a sua respectiva Forças Armadas assim o quer&#8221; (<a rel="noreferrer noopener" aria-label="link (abre em uma nova aba)" href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/03/07/democracia-e-liberdade-so-existem-se-as-forcas-armadas-quiserem-diz-bolsonaro-a-militares-no-rj.ghtml" target="_blank">link</a>) e recomendou que pais arranquem as páginas sobre educação sexual da Caderneta de Saúde da Adolescente, além de avisar que vai reeditar (<a rel="noreferrer noopener" aria-label="link (abre em uma nova aba)" href="https://oglobo.globo.com/sociedade/bolsonaro-sugere-que-pais-rasguem-paginas-sobre-educacao-sexual-de-caderneta-de-saude-da-adolescente-23506442" target="_blank">link</a>). É tanto absurdo que eu não faço a menor ideia de porquê me dou ao trabalho. </p>



<p>Eu não sei como conseguem dormir à noite. Eu só sinto vergonha. Vergonha alheia, porque não foi com meu voto que ele chegou lá.</p>



<figure class="wp-block-image"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="960" height="304" src="http://lomyne.com/wp-content/uploads/2019/03/malvados-20190307-2.jpg" alt="" class="wp-image-3044" srcset="https://lomyne.com/wp-content/uploads/2019/03/malvados-20190307-2.jpg 960w, https://lomyne.com/wp-content/uploads/2019/03/malvados-20190307-2-300x95.jpg 300w, https://lomyne.com/wp-content/uploads/2019/03/malvados-20190307-2-768x243.jpg 768w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /><figcaption><a href="https://www.facebook.com/malvadoshq/" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="Malvados - André Dahmer (abre em uma nova aba)">Malvados &#8211; André Dahmer</a></figcaption></figure>



<p class="has-small-font-size"><em><strong>Créditos da imagem do cabeçalho:</strong> Marcelo Camargo/Agência Brasil [</em><a href="https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/br/deed.en"><em>CC BY 3.0 br</em></a><em>], </em><a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Jair_Bolsonaro_discute_viol%C3%AAncia_contra_mulheres.jpg"><em>via Wikimedia Commons</em></a><em>, imagem redimensionada.</em> </p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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		<title>O Ciclo sem Fim do Rei Leão Comodista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lomyne]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Feb 2019 22:12:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[amigos]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A história da minha vida é cheia de idas e vindas. Múltiplas cidades, grupos de amigos, viagens pra trabalhar, estudar ou lecionar. Mudanças de endereços e de rotinas. Não que eu seja numa nômade digital, apenas me mudei conforme as oportunidades da vida.&#160; Deixei amigos nos lugares que morei, pessoas com quem tenho memórias lindas, [&#8230;]</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A história da minha vida é cheia de idas e vindas. Múltiplas cidades, grupos de amigos, viagens pra trabalhar, estudar ou lecionar. Mudanças de endereços e de rotinas. Não que eu seja numa nômade digital, apenas me mudei conforme as oportunidades da vida.&nbsp;<span id="more-2967"></span></p>
<p>Deixei amigos nos lugares que morei, pessoas com quem tenho memórias lindas, de fases lindas, que quero poder revisitar para sempre. Alguns deles às vezes dizem <em>vem pra cá, estamos com saudades</em>. O coração chega a ficar apertado, porque isso não é algo simples.</p>
<p>Quando a gente (se) muda muito pela vida, eu acho que aprendemos a perceber isso de uma outra maneira, porque não dá mais pra marcar pequenos encontros. Não rola um churrasco na casa do Ivan nesse sábado ou um happy hour no Largo da Batata. Nem aquele aniversário no Parque Regadas e menos ainda curtir show no Circo Voador que depois estica até amanhecer na sinuca da Lapa. Ainda bem, porque eu nem tenho mais saúde pra isso.&nbsp;</p>
<p>Com tantas mudanças de cidade, vai ficando muita gente muito longe, recortes de vida filtrados pelas redes sociais. Todo mundo parece perto, mas isso não chega aos pés das piadas ruins e comentários mordazes no bar, ou das frases decoradas de <em>Cócegas</em> seguidas de gargalhadas, menos ainda das jogatinas de truco, sueca, RPG, mímica e board games. As saudades da convivência sempre vão existir.</p>
<h3><em>Tô com saudades, vem pra cá</em></h3>
<p>Desculpa, não posso estar contigo sem um bom planejamento. Quero vê-los no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Florianópolis, mas não costumo estar de passagem por estas cidades, vou pra visitar pessoas. E para isso é preciso planejar datas, trabalho, transporte, hospedagem.</p>
<p>Para os mais chegados, eu gosto de oferecer a contraparte. Tenho um colchão inflável para bons e velhos amigos dormirem no escritório. Quase ninguém vem, &#8220;vamos combinar&#8221; e nunca combinamos. Quando a grana e o tempo são daqueles que não se mudaram, parece que a saudade nem é tão grande assim. Aí passa um tempo e um dia pula de novo &#8220;<em>tô com saudades, vem pra cá</em>&#8220;.&nbsp;Já houve épocas em que isso me deixava chateada. Nove mudanças depois, eu meio que superei.&nbsp;</p>
<h3>Então quero fazer um pedido</h3>
<p>Quando você pensar em dizer&nbsp;<em>vem pra cá, vamos pro bar</em>&nbsp;considere bem o que isso significa. Faça as contas e veja que não é simples assim como parece, pense como se você tivesse que ir, faça suas contas de tempo, dinheiro e prioridade. Bem mais complicado, né? Então proponha mais tempo, ofereça sua casa e sua companhia por um final de semana, por exemplo. Ou seja compreensivo, porque dificilmente a visita vai acontecer.&nbsp;</p>
<p>Um dos meus irmãos mora do outro lado do mundo, na Nova Zelândia. Além dele, tenho amigos que foram pra outros países e mais um buzilhão nas cidades onde morei. Quero vê-los, sinto saudades. Um dia eu vou.&nbsp;Mas sempre me preocupo de não fazer com eles o <strong><em>Ciclo sem Fim do Rei Leão Comodista</em></strong>, esperando que as pessoas apareçam aqui, porque moravam aqui, achando que os esforços são unilaterais. Os que foram pra longe entendem. Tente entender também.&nbsp;</p>
<p>Visite as pessoas que gosta ou crie condições reais para seus amigos te visitarem, mas não cobre quem não vai.&nbsp;<strong>Seja legal com as pessoas que se mudaram pra longe. Eles ainda te amam, garanto.&nbsp;</strong></p>
<p>Aliás, sem piada, bem sério mesmo, ouve aí a música do Rei Leão de novo e presta atenção na letra, quem sabe ajuda ainda mais a entender como partir faz parte da vida. Aproveite e convide aqueles de quem você sente saudades.</p>


<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="O Rei Leão - Ciclo sem Fim" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/EOVp4tb5Fn0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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		<title>Conteúdo não dá em árvore</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lomyne]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Feb 2019 16:22:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[marketing social]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hoje pela manhã um print esse tweet abaixo passou pelo meu Facebook. Minha resposta foi tão longa nos comentários que achei mesmo que merecia um post no blog. Eis a questão: Deixei um comentário cínico, que virou uma thread que é digna de um post nesta velha casa, porque já estava enorme a minha resposta, [&#8230;]</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Hoje pela manhã um print esse tweet abaixo passou pelo meu Facebook. Minha resposta foi tão longa nos comentários que achei mesmo que merecia um post no blog. Eis a questão:<span id="more-2944"></span></p>



<figure class="wp-block-embed-twitter wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://twitter.com/nilmoretto/status/1089259617798897664
</div></figure>



<p>Deixei um comentário cínico, que virou uma thread que é digna de um post nesta velha casa, porque já estava enorme a minha resposta, porque muitas vezes falta senso crítico nas questões que propomos. Do meu jeito cínico:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Ah, sim, claro, trabalhe 20h por semana fazendo um conteúdo importante porque as pessoas querem de graça no Youtube, pulando anúncio, sem ninguém pra ajudar a financiar e vai todo mundo continuar dando atenção ao ambientalismo do Felipe Neto. Mas você&nbsp;que tem conhecimento tem obrigação de compartilhar de graça tudo que aprendeu pra ser especialista, porque foda-se, você não precisa ser remunerado, seu tempo é gratuito.</p></blockquote>



<p>E minha amiga respondeu que&#8230;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Eu compreendo que as pessoas precisam viver&#8230; Não obstante também creio na lei da replicabilidade e penso que ela deveria ser aplicada para muito além do Felipe Neto, pois é necessário na web mais Iberês e Manuais do Mundo&#8230; Para que a gente não se encontre aonde está hoje. Considerando também que se dá pra viver benzaço sendo um YouTuber, fazendo palestras, escrevendo livros e afins, porque não usar essas mídias para produzir conteúdo decente e ainda assim, bem viver???</p></blockquote>



<p>E a resposta pra isso é mais complicada do que parece, porque está no campo das coisas que as pessoas não pensam a respeito. Falta uma perspectiva muito importante que aparentemente todo mundo precisa, inclusive a autora do tweet. </p>



<h3 class="wp-block-heading">O problema da audiência</h3>



<p>A primeira parte do problema é que as pessoas não dão audiência para conteúdo que não seja engraçadão ou lacrador. O conteúdo existe, mas não cai na mãozinha do usuário preguiçoso porque não tem alcance. Depois desse tweet, a autora recebeu uma enxurrada de respostas de conteúdos e referências. Não é que não existe, é que não é famoso.</p>



<p>A imensa maioria dos conteúdos que as pessoas consomem hoje chegam até elas pelos seus contatos nas redes sociais. Vivemos uma época tão sobrecarregada de informações que as pessoas não sabem mais pesquisar. Querem saber, mas querem que algum ser supremo lhes entregue a melhor informação pronta, sobre a qual sequer aplicam senso crítico. Um pouco de pesquisa e esforço de aprendizado é saudável, viu, galera?</p>



<h3 class="wp-block-heading">Relevância e qualidade</h3>



<p>Por algumas semanas, o desaste de Brumadinho ainda vai trazer uma tremenda atenção sobre impacto e responsabilidade ambiental, mas isso passa. E o conteúdo precisa ser produzido constantemente, com qualidade. Isso toma tempo e conhecimento específico. </p>



<p>Por melhor que seja sua prática em se maquiar, se você abrir um canal no Youtube agora, provavelmente seu conteúdo não será de qualidade técnica maravilhosa. Saber fazer uma coisa é muito diferente de saber transmitir seu conhecimento pela internet. Conteúdo de qualidade leva tempo. Um vídeo de 15 minutos, bem maravilhoso nível Nerdologia demora: 6 meses foi o tempo que ele disse que levou pra produzir um vídeo sobre o Antigo Egito.</p>



<p>O tempo para a qualidade e o tempo para construir o alcance que as pessoas querem caindo na sua mão sem esforço é um tempo que ninguém pensa. Todo mundo acha que é mágico. O único truque mágico pra alcance rápido e sem esforço é entrar para o BBB. Não recomendo.</p>



<p>E esse tempo para desenvolver esse conteúdo é adicional ao tempo para desenvolver o conhecimento acadêmico e prático. O empenho minimamente razoável pra investir nisso é de umas 20 horas por semana. Para quem trabalha, isso é abrir mão de suas noites ou de seus finais de semana. Por zero dinheiros. Por anos. Por algo que <strong>talvez </strong>dê dinheiro. Estamos falando de querer que alguém <strong>ensine</strong> uma faculdade inteira de tempo de graça. <strong>Ninguém&nbsp;pensa&nbsp;no&nbsp;absurdo&nbsp;que&nbsp;isso&nbsp;é?</strong></p>



<h3 class="wp-block-heading">Faça alguma coisa sobre isso</h3>



<p>Se até aqui ficou claro, explico: a conta não se paga. Tornar-se um influenciador digital já não é tão simples, os grandes de hoje se fizeram em um cenário diferente que não é facilmente replicável. São necessários centenas de milhares de seguidores para ser possível viver de cliques em anúncios. Conquistar centenas de milhares de seguidores leva <strong>anos</strong>. Quem paga a conta ao longo desses anos? A conta do tempo investido é muito cara. Se o assunto não tem uma demanda imensa pra sempre, não vale a pena. As pessoas não estão dispostas a pagar R$ 1,99 pela assinatura de um bom jornal!</p>



<p>Por isso hoje o conteúdo de qualidade acaba sendo produzido por empresas, porque elas estão usando informação para vender seus produtos e serviços. As pessoas que não estão no campo do entretenimento só conseguem investir tempo de verdade nisso se forem se vender como palestrantes e isso depende de fazer muito dinheiro no segmento, o que funciona para pouquíssimas áreas de atuação. Pra marketing ok, super rola, mas pra responsabilidade ambiental? Dificilmente. </p>



<p>Quer incentivar? Pesquise sobre coisas profundas e relevantes, compartilhe sempre, mas não compartilhe coisas rasas. E quando vir algo de qualidade, ajude a pagar a conta. Veja o vídeo de anúncio inteiro, não pule depois de 5 segundos. Leu um bom conteúdo? Clique nos banners que tem no blog. Ajude a pagar a conta! Já que ninguém quer pagar por um curso, pelo menos subsidiem com o dinheiro dos anunciantes.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Alguém tem que pagar a conta, conteúdo digital de qualidade não é filantropia. <strong>Valorize.</strong></p></blockquote>



<p>obs.: <em>ain, mas a pessoa pode receber dinheiro direto de empresas pra falar de seus produtos e seus serviços</em>. Sim. Mesmo para isso, a pessoa precisa do conhecimento técnico, do conteúdo de qualidade, do tempo e da audiência. Valorize.</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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		<title>Black Friday: entenda que descontos fazem sentido</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lomyne]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Nov 2017 11:28:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[favoritos]]></category>
		<category><![CDATA[marketing]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É madrugada da Black Friday e eu tô aqui tentando me distrair pra relaxar e dormir. Um monte de ideias que circulam, perdidas entre tantas métricas e vontade de fazer um excelente resultado. Quase todos os comerciais são sobre Black Friday, o jornal fala dela. Foi a internet que trouxe a Black Friday no Brasil, [&#8230;]</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>É madrugada da Black Friday e eu tô aqui tentando me distrair pra relaxar e dormir. Um monte de ideias que circulam, perdidas entre tantas métricas e vontade de fazer um excelente resultado. Quase todos os comerciais são sobre Black Friday, o jornal fala dela. Foi a internet que trouxe a Black Friday no Brasil, é a maior data do ecommerce brasileiro, fatura mais que Natal e Dia das Mães.</p>
<p><span id="more-2165"></span>Hoje na volta do almoço duas mulheres comentavam sobre a vitrine que tinham visto: &#8220;É Black Fraude&#8221;. Um cara no jornal disse que desconto menor que 50% nem vale a pena, que geralmente é tudo pela metade do dobro. Eu me pergunto se as pessoas fazem alguma ideia como funciona a rentabilidade. Por mais que você queira muito comprar alguma coisa com muito desconto, você entende que para o cara que está vendendo isso é um negócio, né?</p>
<p>Antes de reclamar de desconto, você tem que pensar um pouco, acompanhe meu raciocínio. Você compra um monte de jujuba na distribuidora de doces perto da sua casa, R$ 1,00 cada uma. Vende pra galera no trampo por R$ 2,00. Vendeu 10 jujubas, recebeu R$ 20, R$ 10 de custo, R$ 10 de lucro (50%).</p>
<p>Pra ganhar mais dinheiro, você faz uma promoção: leve 3 pague 2 (uhu, promoção, jujuba 33% Off). Vendeu 30 jujubas, recebeu R$ 40, R$ 30 de custo, R$ 10 de lucro (25%). Cara, você vendeu o triplo de jujubas, mas GANHOU O MESMO DINHEIRO! Você percebe que sua promoção é ruim? Pro lucro começar a aparecer, você precisa vender muito mais, tipo 45 jujubas. Dá uma olhada na tabela:</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-2522 size-full" src="http://lomyne.com/wp-content/uploads/2017/11/01.png" alt="" width="476" height="93" srcset="https://lomyne.com/wp-content/uploads/2017/11/01.png 476w, https://lomyne.com/wp-content/uploads/2017/11/01-300x59.png 300w" sizes="(max-width: 476px) 100vw, 476px" /></p>
<p>E aí vem a Black Friday e a galera começa a pedir uma promoção ainda melhor. Dá pra vender a 50%? Não colega, não dá, ISSO É TODO O SEU LUCRO. Aí você vai lá e negocia com o cara da distribuidora de doces, ele diz que te dá 20% de desconto se você comprar 100 jujubas. Você vende com 50% Off, sabe o que acontece? Olha a tabela de novo:</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-2527 size-full" src="http://lomyne.com/wp-content/uploads/2017/11/02.png" alt="" width="490" height="93" srcset="https://lomyne.com/wp-content/uploads/2017/11/02.png 490w, https://lomyne.com/wp-content/uploads/2017/11/02-300x57.png 300w" sizes="auto, (max-width: 490px) 100vw, 490px" /></p>
<p>Tá me entendendo que você precisou vender DEZ VEZES MAIS JUJUBAS pra ganhar R$ 20? Já pensou que se só tivesse 10 pessoas no seu trampo seria muito difícil conseguir vender essas 100 jujbas? Agora bota isso em escala de milhares ou até milhões.</p>
<p>Mimimi, quero comprar um celular com 70% off. Você acredita mesmo que a margem de lucro é de mais de 70%? Óbvio que não. Boa parte desse mimimi sobre Black Friday é causado simplesmente porque a pessoa tá olhando o umbigo dela e não faz a menor ideia de como funciona o capitalismo. Dica: o objetivo é o lucro, ninguém quer trabalhar de graça.</p>
<p>Mas então porque as empresas fazem Black Friday com até 70% Off, como elas lucram com isso? Olha, tem várias formas, seguem alguns exemplos:</p>
<p>1. Compram grande quantidade e conseguem negociar preço com o fornecedor (como o da jujuba ali em cima).</p>
<p>2. Principalmente em tecnologia, produtos antigos que já vendem pouco e inibem a compra do lançamento. Tipo Iphone 4.</p>
<p>3. Muito comum em moda, aquela liquidação de produtos da coleção do ano passado que está encalhada.</p>
<p>4. Produtos próximos do vencimento, que se não vender é tudo prejuízo.</p>
<p>Isso é o básico. Agora quando a gente é especialista e utiliza compreensão avançada de marketing (como meus clientes são e nós também), a gente tem outras variáveis úteis, por exemplo:</p>
<p>1. Necessidade recorrente: Há 6 meses eu comprei uma Dolce Gusto. Ganhei a máquina porque compreu 30 caixas de cápsulas. Foi um baita de um desconto. As cápsulas acabaram e eu agora compro sem promoção.</p>
<p>2. Retenção e fidelização: Sephora não costuma dar descontos, mas possui um programa de pontos que já me rendeu muitas miniaturas, nécessaires, bolsas, amostras&#8230; Eu gosto de um mimo e compro novamente.</p>
<p>3. Mix de carrinho: seu shampoo está com 50% de desconto. Você vê que faltam R$ 10 pro frete grátis, vai lá e compra o condicionador também, que não tinha desconto.</p>
<p>4. Email marketing: email é o canal mais lucrativo de performance (considerando as fontes pagas). Se um usuário permite que eu envie emails pra ele e eu faço um trabalho decente nesse canal, ele vai voltar a comprar.</p>
<p>Tem mais um monte de coisa, mas meu objetivo aqui é só um: tentar explicar que não faz o menor sentido você querer uma Black Friday com 70% de desconto em tudo. Oportunidades excelentes existem, mas isso tudo ainda é um grande negócio. O melhor negócio do ecommerce brasileiro.</p>
<p>Boa sorte nas suas compras, recomendo que tome o cuidado com mega oportunidades imperdíveis de 70% Off em sites que você nunca viu antes. Há infinitas histórias de gente que comprou um celular a preço de banana e recebeu um tijolo (ou nem recebeu). O problema do malandro é achar que ele é o único malandro envolvido.</p>
<p>Breve Jabá dos meus clientes em Black Friday, caso você se interesse:</p>
<p><a href="http://compre.vc/v2/3287251980e" target="_blank" rel="noopener">SEPHORA</a> | <a href="https://www.anacapri.com.br/store/c/liquida" target="_blank" rel="noopener">ANACAPRI</a> | <a href="https://www.arezzo.com.br/c/promocao" target="_blank" rel="noopener">AREZZO</a> | <a href="https://www.schutz.com.br/store/" target="_blank" rel="noopener">SCHUTZ</a></p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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		<title>Precisamos conversar sobre Ética</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lomyne]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 May 2017 12:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[favoritos]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[ética]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>De acordo com nosso querido amigo Google, Ética é: 1. parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo esp. a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social. 2. p.ext. conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e [&#8230;]</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>De acordo com nosso querido amigo Google, Ética é:</p>
<blockquote><p>1. parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo esp. a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social.<br />
2. <em>p.ext.</em> conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade.</p></blockquote>
<p><span id="more-2135"></span><br />
Eu prefiro extrapolar para um conceito simples: ética é aquilo que&nbsp;qualquer pessoa de bom senso não faz porque sabe que é errado, independente do que está previsto em lei. Ética é uma amiga bem próxima do caráter e sinceramente acho que se você não tem um, não vai entender ou conseguir aplicar a outra.</p>
<p>Há&nbsp;uma disciplina inerente a quase todo curso de Publicidade: Ética e&nbsp;Legislação.&nbsp;Costumo&nbsp;fazer a piada que essa disciplina consiste em separar o que é crime do que é estratégia diferenciada, principalmente porque a ética na publicidade muitas vezes é um assunto nebuloso. Mas quando a gente fica adulto a gente acaba desconstruindo um monte de coisa e&#8230; bom, eu tô tentando melhorar ao escrever esse post.</p>
<p>De acordo com Kant, na Crítica da Razão Prática: <em>&#8220;Age de tal modo que a máxima de tua vontade possa valer sempre como princípio de uma legislação universal.&#8221;</em>&nbsp;Ou,&nbsp;colocando em vocabulário vulgar: <em>se todo mundo fizer a mesma coisa que você tá fazendo, vai ficar todo mundo feliz? Se fizerem contigo o que você tá fazendo, cê vai achar maneiro?</em>&nbsp;Se sua resposta for não, bem, aí já sabemos quem é o pau no cu&nbsp;da história, né? Eu não acho difícil,&nbsp;mas com tudo que eu já vi nessa vida, parece um conceito muito complexo pra muita gente.</p>
<p>O primeiro aspecto em que isso pega pra mim é na lógica profissional, cabem aqui 300 mil exemplos de como as pessoas não fazem o menor sentido, desde comportamentos pessoais que&nbsp;favorecem determinados parceiros para ganhar uma grana por fora até conversas maledicentes que destroem carreiras porque não gostam da pessoa, independente da qualidade do trabalho. Sem falar nos &#8220;roubos de contrato&#8221; que a gente acaba sabendo por fofoca de mercado. Eu trabalho em um lugar profundamente ético e por vezes digo aos meus chefes (pessoas incríveis) que não tenho estômago pra certas coisas que eles encaram.</p>
<p>Em outros aspectos da vida, dá pra fazer um tratado sobre relacionamentos! Tipo assim, um ser pensante não deveria trair, né? <em>hum&#8230; tô a fim de transar com esse aleatório na minha frente&#8230;&nbsp;meu namorado vai ficar puto se souber, mas ele não vai saber mesmo, então vou fazer.</em> Eu preciso desenhar qual é o problema?</p>
<p>Outro exemplo: é público e notório que eu ando nessa vida de aplicativos de pegação, Tinder, Happn, etc. No último feriado eu zerei a brincadeira, encontrei alguém massa pra caralho e desinstalei os aplicativos. Só que eu andava com uns rolos em aberto e ao longo da semana conforme&nbsp;os rolos foram puxando papo eu comuniquei que estou namorando. Um deles, amigo de muitos anos, me deu parabéns (yep, amigos, problematizem essa forma de relacionamento em outro horário, esse eu comentei só pra deixar claro que o problema não é todo mundo). Outro cara ontem pela manhã foi insistente, chegou a declarar que merecia uma despedida. Porra, véi, cê num merece não, ninguém merece, eu disse que tô monogâmica, que que você tá pensando? Que eu acabei de começar um relacionamento e vou meter-lhe um belo par de chifres porque&#8230; Por que mesmo?</p>
<p>Ontem à noite eu recebi uma mensagem por whatsapp, de um número desconhecido, sem nenhum texto, somente um nude de uma mulher desconhecida. DDD 11,&nbsp;olhei pra foto do cara, nunca vi mais gordo.&nbsp;Fiquei pensando quais coisas eu poderia fazer que fossem eficientes para foder a vida deste filho da puta sem expôr a imagem da guria. Não consegui ter nenhuma ideia, só respondi com um leve esporro e bloqueei o contato. Se alguém tiver conhecimento de como responsabilizar esse cara e como fazer da vida dele um inferno, me avise.</p>
<p>Ainda falando de tretas dos últimos dias, Elika Takamoto (<a href="http://lmgtfy.com/?q=Elika+Takimoto" target="_blank" rel="noopener noreferrer">lmgtfy</a>) repostou seu <a href="https://elikatakimoto.com/2016/04/30/contando-sobre-as-cotas/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">texto foda sobre cotas</a> e sofreu uma enxurrada de ataques, rotulada de racista. Wilson Gomes, professor renomado, precisou dar &#8220;carteirada de negro&#8221;&nbsp;ao apoiá-la e mesmo assim ainda virou o preto vendido defendendo brancas, encarou deboche de desconstruidão nas redes sociais. Ambos foram atropelados pela polícia&nbsp;da internet e Elika deletou seu Facebook. Ninguém leu direito. Ninguém prestou atenção, a manada passou por cima.</p>
<p>Fora isso ainda temos a turma que fica com o troco indevido, a galera que estaciona onde não deve &#8220;só por 5 minutinhos&#8221;, os espertões que pegam incontáveis sachês de catchup da lanchonete pra não precisar comprar em casa, a diarista que&nbsp;fatura mais de 3 mil reais por mês e recebe bolsa família, porque o governo não consegue rastrear a renda dela.</p>
<p>Vocês entendem quais os problemas de todos esses pontos? Pelo amor de Deus me digam que&nbsp;dá pra perceber, porque eu tenho muita dificuldade em ter fé na humanidade.</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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	</item>
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		<title>13 Reasons Why (ou 14)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lomyne]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Apr 2017 13:19:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na semana passada eu assisti o trailer de 13 Reasons Why. Mesmo antes de ser lançada, já estava na minha lista, por dois motivos muito simples: primeiro que tem alto teor de identificação pessoal, segundo que a Netflix tava lá dizendo que eu daria 5 estrelas cheinhas. Eu passei bullying pra caralho na infância e [&#8230;]</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Na semana passada eu assisti o trailer de 13 Reasons Why. Mesmo antes de ser lançada, já estava na minha lista, por dois motivos muito simples: primeiro que tem alto teor de identificação pessoal, segundo que a Netflix tava lá dizendo que eu daria 5 estrelas cheinhas.<span id="more-2139"></span></p>
<p>Eu passei bullying pra caralho na infância e em algumas fases da vida adulta. Não tinha esse nome na época, mas era essa parada aí: assédio, deboche e constrangimento com quem não se encaixa no modelo social/físico/comportamental. Importante destacar aqui que a tradicional sociedade paranaense é uma corja de seres desprezíveis que te tratam com extrema educação enquanto criticam tudo que você faz e fornecem recomendações constantes sobre o que você precisa fazer pra se encaixar no modelo comportamental deles, não importa se isso não é o que você quer pra sua vida. Só existe um modelo válido e o esperado é que você chegue lá ou morra tentando, porque tá aí um povo que não aceita a diferença. Isso só não é amplamente percebido porque é tanta educação e gentileza que se você reclama ou responde de maneira ríspida quem tá errado é você. É um inferno enquanto você está construindo sua identidade, creia-me.</p>
<p>Sexta-feira passada 13 Reasons Why estreou. Eu assisti praticamente tudo naquela noite, só dois episódios no sábado. Uma produção de qualidade sobre algo com que me importo. Porra, eu achei foda pra caralho! Eu não me vejo como ativista de nada e não é da minha natureza falar sobre coisas muito íntimas, principalmente as que me machucam/machucaram. Por isso maratonei a série, curti pra caralho, confirmei as 5 estrelas cheias e segui minha vida. Não estava me propondo a falar nada sobre o assunto, até que&#8230;</p>
<p>Eis que na quarta-feira começaram a surgir alguns posts e tweets. Eu estava em São Paulo a trabalho e lá geralmente não tenho tempo pra muita coisa, então acabei não acompanhando tudo que foi dito, mas pelo tom das postagens dos amigos desconfiei que já tem um bom buzz nas redes sociais. E por falar em tom das postagens, a coisa não vai bem.</p>
<p>Então, quando eu assisti o trailer de 13 Reasons Why rolou aquela identificação foda. Se você não viu, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=nHdoAaLiU2E" target="_blank" rel="noopener">clica aqui</a>. Agora deixa eu desconstruir um pouquinho esse trailer, caso você tenha algumas expectativas errôneas que eu acho que o trailer pode causar: não é suspense, não é ação, não é romance e não é mais uma historia de <em>I see dead people</em>. 13 Reasons Why é drama. E um drama foda.</p>
<p>Citando a <a href="https://www.facebook.com/borboletando" target="_blank" rel="noopener">Victoria Siqueira</a>: <em>Se você não gostou da série, achou o enredo pobre ou qualquer outra coisa em torno da produção, tá tudo certo, ninguém tem a obrigação de gostar. Mas a outra, bem diferente, é achar que o tema é uma bobeira e um conto adolescente</em>.</p>
<p>Como eu comentei na postagem dela, eu não chamo de empatia porque pra ser empatia teria que ser algo que eu não vivi e eu já tive meus momentos de todo mundo me olhando, me julgando e/ou rindo de mim. Nesse caso não é empatia, é experiência. E cá entre nós, eu não sou tão compreensiva quanto ela, acho que quando a história é boa e o assunto é importante você precisa ser muito babaca pra ficar fazendo ladainha sobre a qualidade da produção. Mimimi gourmet de séries.</p>
<p>Um aleatório conhecido perguntou se a série engrena depois do sexto episódio ou se continua chata e irritante. Eu comentei que depende do tipo de pessoa que você é e de que lado do assédio você está. Se até o quinto episódio não rolou empatia, pode abandonar​ que é aquilo mesmo. Num mundo em que ninguém quer ser confrontado, meu comentário foi apagado e a &#8220;amizade&#8221; desfeita no Facebook. Não julgo ninguém por desfazer amizade no Facebook, principalmente essas que não são amizades, essas relações de quem se esbarrou 3 ou 4 vezes na vida e o contato na rede social simplesmente vai ficando. Mas dada a situação, me reservo o direito de ter uma suspeita de que tipo de pessoa ele é. Seja um assediador ou seja um gourmet de séries, amizade desfeita me parece um ótimo resultado.</p>
<p>Eu sinto muito que você ache irritante ou chato falar sobre a maneira monstruosa que grupos sociais estabelecidos se divertem enquanto magoam e ofendem pessoas novas e/ou diferentes. Eu sinto muito MESMO. Há cicatrizes muito fundas na carne de quem passou por bullying ou qualquer tipo de assédio. Se você não entende, você é parte do problema, tanto faz se você causou, se só deu risada ou se só não se importou, você é co-responsável. Você torna 13 Reasons Why 14 Reasons Why. Don&#8217;t be that dick.</p>
<p>E se você acha bobo, banal, irritante ou chato, você deveria saber que o CVV recebeu o dobro de emails diários desde o início da série e que 25 mensagens mencionam 13 Reasons Why (<a href="http://www.huffpostbrasil.com/2017/04/05/como-13-reasons-why-nos-alerta-das-metaforas-do-desespero-adol/">aqui</a>). Mas se você quiser também pode interpretar que a série está causando esse aumento. Don&#8217;t be that huge dick.</p>
<p>Pra encerrar, deixo uma citação de 13 Reasons Why, fodástica:</p>
<blockquote><p><em>Whole point for criative expression is to hold a mirror to the world, so hopefully this god awful people concern to see themselves and make conections helping them through their really ass lifes. Your pain, your pain is important to other people.</em></p></blockquote>
<p>p.s.: eu já devo ter sido o monstro algumas vezes na vida. Mas eu tento ser melhor. Você deveria tentar também.</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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