O Ovo, uma fábula corporativa – Parte II

Até que andava bem a granja, vendendo seus ovos. Não que fosse assim época de abundância, mas o negócio estava se desenrolando e até crescendo um pouco. Mas a economia de livre concorrência exije que melhoremos sempre e nem sempre – ou melhor quase nunca – sabemos exatamente como.

Certo dia, chega um consumidor potencial e nos faz um pedido: olha, esse ovo é muito simplesinho, vem só na caixa de papelão e nós queremos usar para decoração. Será que vocês não podem providenciar uma caixa alto-padrão, com galinha de arame opcional? Porque nós estamos procurando um produto diferenciado para ser nosso novo fornecedor… Aí pronto, olhos do supervisor faiscando, designer ao trabalho, orçamento completo, praticamente já era visível o case de sucesso, todo o marketing salivando só de pensar em aparecer numas fotinhos. Tudo pronto, aquela apresentação preparada em grande estilo para aquele cliente tão especial, chega o dia da reunião. Projeto apresentado, o cliente faz a pergunta crítica:

– Quanto?
– Todo este projeto fabuloso custará somente sete reais.
– Nossa, nós estávamos imaginando certa de três reais. – responde o cliente assustado.
– Como? – pergunta o supervisor de vendas – Como, se só os ovos são vendidos a quatro reais?
-…

É sempre assim, meu Deus, é sempre assim… querem três vezes mais com 25% de desconto!

Sobre

Eu sou uma ideia abstrata de mim mesma, vivendo para o meu trabalho e insistindo em acreditar que algum dia eu vou conseguir escrever o tanto que penso.

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3 Comentários

  • Humm, às vezes não, Lomyne, às vezes eles querem o produto quase que de graça… E que mal há nisso?

    beijão

  • Clientes são assim mesmo. Se o cara não manja de como o negócio é feito, ele acha que tudo é muito fácil, muito simples e sobretudo, muito barato.

  • Ih, fiota, agora já era, editei o post e te indiquei pro selo. E falando nisso, posso pegar a imagem da Reforma Ortográfica? Eu adorei ^^

    Beijão!

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