Cinema, política e ética

2010 começou com a estreia do filme do Lula nos cinemas, o que já é bem discutível. Tenho amigos dizendo que o Lula não é candidato a nada e que isso não tem nada a ver, mas ainda assim, que lançassem em novembro e tudo estaria resolvido. O cinema brasileiro tem o hábito de engavetar lançamentos por muito tempo mesmo…

Às vésperas do lançamento do filme em dvd (programado para 12 de abril), as videolocadoras planejam um boicote, alegando que desde 2005 a pirataria aumentou em 100% e o presidente tem sido negligente neste aspecto. Lembraram também o fato de que o Lula admitiu ter visto 2 Filhos de Francisco antes do lançamento oficial, ou seja, assumiu publicamente que consome pirataria.

Diante de tudo isso, eu não consigo perceber exatamente quem é que está mais errado. Uma produtora de cinema que lança o filme sem pensar na representatividade do seu personagem principal? Isso me parece o absurdo do oportunismo, assim como a própria idéia do filme. Se fosse um projeto isento, seria feito depois que o Lula saísse do poder. Ou melhor ainda, depois de aposentado.

Talvez o mais errado seja o presidente, que entre muitas características é famoso pela sua inocência providencial: não sei, não vi, falei sem querer e por aí vai. O político que permite o lançamento de um filme biográfico em ano de eleição merece ter sua ética questionada. Não, ele não é candidato. E daí? Daí que é exploração da imagem sim e o oportunismo é ba-ca-na!

Ou ainda posso duvidar das locadoras justificando o boicote com um argumento pífio. Porque impedir o filme de chegar às locadoras só vai aumentar a pirataria. As pessoas querem ver o filme e estão no direito delas. Se não puderem alugar, o mercado negro resolve. Ou seja, farão canibalismo de seu mercado só por birra política.

E aí, será que alguém está certo nisso? Definitivamente não.

Veja a notícia do boicote aqui.

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Eu sou uma ideia abstrata de mim mesma, vivendo para o meu trabalho e insistindo em acreditar que algum dia eu vou conseguir escrever o tanto que penso.

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