Humanos: à imagem e semelhança de quem?

Eu tenho um puta valor religioso, do qual me orgulho profundamente. Minha religião não só é minha crença, é também minha educação. Porque meus pais me ensinaram a doutrina da nossa religião e sobre ela construímos nossos nossas vidas. Ajo de acordo com o que acredito ser certo. Posso ter errado inúmeras vezes pelo ponto de vista alheio, mas nunca atentei contra minha fé. Eu não me acho especial por causa disso, estou apenas constatando.

Eu só fico pensando sobre essas pessoas que vivem completamente mergulhadas em lógicas imediatistas e egocêntricas, que não medem o impacto do seu comportamento, do quanto fazem mal aos outros por pura e simples mediocridade. Não importa se você tem Jesus no coração, se compra calendário Seicho-No-Ie, se usa caldeirão de ferro, toma Daime ou bate tambor, se você é agnóstico ou ateu. É que eu vejo que respeito ao próximo pode até estar na memória das pessoas, mas não está nas suas práticas.

Porque será que é tão difícil conseguir que as pessoas se importem umas com as outras? Tratem os outros com um mínimo de civilidade e educação? Qual a grande dificuldade em praticar o conceito de não fazer aos outros o que não gostaria que fizessem com você? Será que é tão complicado assim?

Eu só sei que perco o tesão com o mundo quando eu vejo as formas como as pessoas escolhem viver.

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Post Author: Lomyne

Eu sou uma ideia abstrata de mim mesma, vivendo para o meu trabalho e insistindo em acreditar que algum dia eu vou conseguir escrever o tanto que penso.

1 thought on “Humanos: à imagem e semelhança de quem?

    Graziele

    (04/03/2011 - 0:35)

    Se ficasse a meu encargo eleger quais os sentidos mais falhos do ser humano, o primeiro lugar seria disputadíssimo entre a visão e a audição. Temos tanta dificuldade de olhar para dentro de nós como para fora e o mesmo eu digo para o ouvir: não escutamos nossas vozes internas e, consequentemente, tornamo-nos incapazes de ouvir o outro. A miopia e surdez emocionais de nós humanos parece-me surgir de dentro para fora: fazemos exatamente com o outro o que fazemos com nós mesmos. Claro que não é o que gostaríamos que fosse feito, mas em nossa imperfeição ainda buscamos que o OUTRO faça por nós aquilo que nos negamos: suprir nossas carências, corrigir as nossas faltas, livrar-nos das nossas tristezas, aprovar nossas escolhas. A culpa é sempre de um terceiro, e obviamente nele também descontamos nossas frustrações: não me trato bem, não me forneço amor, cuidados e aprovação suficentes, não nutro meu corpo e minha alma com atitudes emocionais saudáveis, logo não sou capaz de oferecer a meu "próximo" aquilo que também não sou capaz de oferecer a mim mesmo: amor incondicional.

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